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No alto da Lage surgiu um Arraial…
Texto de Ana Paula Mendonça de Resende
Na região das Minas Gerais era assim: os pequenos núcleos populacionais se formaram em torno da mineração – ou porque no local existia ouro ou então era lugar de abastecimento para aqueles que dele se aproveitavam. E assim surgiu o Arraial da Lage na primeira metade do século XVIII, que abrigava tropeiros e viajantes. O Arraial pertencia à Vila de São José del-Rei, hoje Tiradentes. Sua proximidade com a sede da Comarca do Rio das Mortes, São João del-Rei, um importante entreposto comercial, foi fundamental para a ocupação do Arraial.
A Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida em 1749, serve como marco inicial da história da Lage. Em torno da capela foram construídas casas para abrigar as famílias em época de festas religiosas. O Arraial mantém sua importância quando retomamos a história da Inconfidência Mineira. Dois participantes, o Capitão José de Resende Costa e seu filho de mesmo nome são considerados o elo entre a Lage e o passado mineiro. Curioso apontar que a numerosa família Resende descende do casal João de Resende Costa e Helena Maria, uma das “Três Ilhoas” que na década de 30 do século XVIII se estabeleceu na Fazenda do Engenho Velho dos Cataguás, em Lagoa Dourada. Eles eram os pais do Capitão José de Resende Costa.
A população dedicava-se ao plantio de gêneros alimentícios e também à criação de gado. Em 1831 eram 1.243 habitantes, entre homens livres e escravos. No centro da Lage cruzavam duas estradas: uma que ia do norte ao sul da Província de Minas Gerais; a outra, do Rio de Janeiro a Goiás. Às margens da estrada e dentro do Arraial havia ranchos que serviam de abrigo para os transeuntes e tavernas muito freqüentadas e famosas pela desordem que seus frequentadores causavam.
No início do século XIX, a Lage já se destacava por mostrar-se como um dos maiores concentradores de escravos da Comarca. O Distrito era composto por quatro quarteirões: Arraial, a Lage; o quarteirão dos Campos Gerais; o quarteirão do Ribeirão do Santo Antônio e o quarteirão do Mosquito. Nessas fazendas pôde-se constatar que não eram especializadas num único tipo de atividade agrícola, assim como a maioria das fazendas mineiras, famosas pela sua diversificação econômica. Essa diversificação pode ser constatada pela ampla utilização das atividades domésticas têxteis que foram responsáveis pela ocupação de quase todas as mulheres do Distrito da Laje na época Imperial.
Em 1832 foi criado o Curato (povoação que conta com a presença de um vigário) da Lage como filial da Paróquia de Lagoa Dourada. Em 1836 foi desmembrado de Lagoa Dourada e incorporado a São José. Em 1840 o Arraial da Lage foi elevado à categoria de Paróquia com o título de Nossa Senhora da Penha de França do Arraial da Lage.
Na área urbana, a arquitetura passava por modificações. Em 1857 deu-se o início da construção da Igreja do Rosário que durou 10 anos. O Padre Joaquim Carlos e alguns fazendeiros deram início à construção de uma capelinha mor. Depois, a capela foi ampliada. Em finais do século XIX, outras obras foram iniciadas: em 1882 foi construído o cemitério, ampliado em 1895.
A atual Matriz de Nossa Senhora da Penha de França não é a que foi construída no século XVIII. A primeira começou a desabar nos anos de 1893 a 1896 e precisou ser completamente reformada. A obra aconteceu de 1901 a 1909, que, além de consertá-la, visava ampliá-la diante do grande número de pessoas que deixavam a zona rural e já moravam na Vila. Apesar dessa informação, a reforma recente a que a Igreja Matriz foi submetida demonstrou que não houve a total demolição da antiga Igreja, pois conseguiram encontrar vestígios da capela original.
… e o Arraial virou município: nasce Resende Costa!
O crescimento da localidade urbana seria então responsável pela emancipação do município. Em 30 de agosto de 1911, foram criados o município e a vila, com a denominação de “Vila de Resende Costa”. Como geralmente se considera como data de criação de um município a data de sua instalação, comemora-se a emancipação da cidade no dia dois de junho de 1912, quando ocorreu realmente a sua instalação oficial. Ainda assim, somente em 1923 é que se mudou a denominação para Resende Costa. Naquela época as reuniões políticas ocorriam no Paço da Câmara, atual prédio do Fórum. A Câmara tinha uma preocupação urbanística que visava preservar a harmonia da vida de seus moradores.
Com a emancipação política, um surto modernizador atinge a cidade, que vai ter muitas de suas construções do centro da cidade demolidas e, logo após, construídas outras no mesmo lugar. O início do século 20 marcou um período de transformação no qual tudo precisava ser novo e o crescente aumento da população era pertinente com a idéia de modernidade que se seguiu nos anos seguintes.
O símbolo do poder político em Resende Costa é a Câmara Municipal. O casarão foi posse da família Souza Maia que ali se estabelecia em dias de festa. Depois a residência chegou às mãos dos Pintos. Mas a terceira década do século 20 mudou os rumos do uso do patrimônio. O imóvel particular passou a ser público. Em 1936, o prefeito da cidade, Dr. Costa Pinto, foi autorizado a comprar o prédio. Somente nessa época passou a sediar o Legislativo e o Executivo que, desde 1912, funcionavam no atual edifício do Fórum. Em 1987, o executivo municipal foi transferido para o prédio do antigo Ginásio Nossa Senhora da Penha, onde permanece. O velho sobrado, propriedade da Prefeitura, sedia a Câmara Municipal.
Em 2012, comemoramos o centenário da emancipação política de Resende Costa. A partir de 1912 a cidade passa a existir legalmente e ter uma maior autonomia, no momento em que adquire sua “libertação política”. Oficialmente, nascemos e passamos a viver com essa liberdade em Minas Gerais em 1912. No entanto, não podemos esquecer que essa localidade já existia desde 1749, quando se registrou a construção da Capela de Nossa Senhora da Penha de França.
Nesses últimos 100 anos presenciamos o desenvolvimento de Resende Costa: mas não perdemos o encanto da nossa mineirice: temos um pôr-do-sol fascinante do “alto da Lage” e o colorido do artesanato têxtil que herdamos do período colonial nos fazem reconhecidos pelo Brasil afora.
Fonte: http://www.resendecosta.mg.gov.br/
Location
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Resende Costa, Minas Gerais, Brasil